“Anjo da desilusão, tua beleza e teus encantos me assombram...
Machuca meus versos, silencia meus versos, ironiza meus versos, tira meus versos de mim sem piedade...
Não há desprezo na distância, tampouco frieza em teus olhos, mas você me desconhece...
Ainda assim, me congela a alma, paralisam cada momento como fotos antigas e amareladas... Somos anjos e monstros uns dos outros, apenas isso.
Para sempre vivem também os anjos, nas alturas de onde jamais deveriam sair...
Pois descem às vezes a terra e encantam tão profundamente que se tornam inesquecíveis...
Os anjos vivem na alma do poeta, como mensageiros alados de sentimentos nobres... Despertando estátuas, aquecendo o inverno com as brasas do paraíso...
Anjo da desilusão, agora sabes quem eu sou?
Sou o platônico desconhecido que sai pela porta neste exato momento, rumo ao desconhecido... Sou aquele que deixa para trás os sonhos, queimados, abandonados, esquecidos...
Sou apenas eu, caminhando perdido sem o cuidado do meu anjo preferido...
Anjo da ilusão, do afeto intenso, da saudade extensa, do momento inoportuno...
Menina-estrela, tomando a imagem de um anjo você falou comigo e me cativou...
Anjo da poesia antiga, voas para longe levando consigo as chaves do destino.”



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